sábado, 19 de novembro de 2016

“Espero quer isto signifique ‘o fim dos EUA’ tal como os conhecemos”


Sputnik | Miguel Ángel Julià – A vitória de Trump promete ser um ponto de inflexão para os Estados Unidos e, possivelmente, para o resto do mundo, e será para o bem de todos, assim opina o delegado especial da Coreia do Norte para as relações culturais com os países estrangeiros, Alejandro Cao de Benós – mais conhecido como “o embaixador norte-coreano no Ocidente” – numa entrevista exclusiva à Sputnik.

A eleição do candidato republicano, Donald Trump, é um voto anti-sistema e significa que a população estadunidense está farta do antigo sistema político, assinalou o entrevistado. Segundo este, a sociedade nos Estados Unidos está a polarizar-se à medida que aumentam os conflitos tanto de classe como raciais e, acrescentou, pode ser que a situação interna dos EUA piore ainda mais.

Quanto à possibilidade da eleição de Hillary Clinton, Cao de Benós afirmou que esta teria podido causar uma guerra total e uma catástrofe a nível global.

“Eu qualificaria Clinton como uma mulher falsa e histérica. A sua eleição podia ter significado um possível ataque ‘preventivo’ e mal calculado contra a RPD da Coreia, o qual obteria uma resposta nuclear por parte do nosso Exército Popular”, opinou.

Contudo, argumentou, a situação actual pode não significar que Trump consiga realizar todas as mudanças que prometeu efectuar ao longo da sua campanha presidencial, dada a oposição de certos círculos da sociedade.

“A pressão social irá impedi-lo de tomar medidas drásticas como a expulsão massiva de imigrantes ou a proibição da entrada de islâmicos”, manifestou.

Cao de Benós confirmou que Trump poderá, isso sim, reduzir as tensões com Pyongyang e, segundo prometeu o mesmo durante a sua campanha, será menos activo que Obama no que diz respeito à ingerência nos assuntos internacionais. O entrevistado asseverou que isto, ou seja “o nacionalismo extremo” de Trump, “é a melhor notícia para todas as nações do planeta que queiram viver em paz.”

Quando questionado se a vitória de Trump significa “o fim dos EUA” tal como os conhecemos, Cao de Benós afirma que espera que assim seja uma vez que tal será “para bem do mundo e dos próprios EUA” e acrescenta que uma revolução social “é sempre necessária para eliminar as sociedades velhas de modo a criar novas”.

O delegado especial concluiu que se tivesse uma oportunidade para pedir algo ao presidente eleito dos EUA, lhe iria pedir para firmar a paz com Pyongyang e retirar os militares norte-americanos dos países invadidos, nomeadamente a Coreia do Sul, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia e a Síria, entre outros.

Fonte: Sputnik

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