Um país com uma independência forte

A República Democrática Popular da Coreia é globalmente conhecida como sendo um país extremamente independente dada a perseverança dos princípios da independência política, da auto-suficiência económica e da auto-suficiência da sua defesa nacional.

sábado, 15 de abril de 2017

"Os turistas na Coreia do Norte ficam surpresos por todos terem o que precisam e serem felizes"


Em 1990, Alejandro Cao de Benós contactou pela primeira vez com algumas famílias coreanas que viviam então em Espanha. Em 2002, foi nomeado delegado especial para a Comissão de Relações Culturais, dependência do governo da Coreia do Norte.

Sputnik conversou com ele sobre como visitar um dos países mais herméticos do planeta no Pyongyang Café em Tarragona, Espanha.

Porque é que alguém haveria de fazer turismo na Coreia do Norte?

Bem, não sou eu que o digo, assim o dizem os grandes viajantes que estiveram no país e que o consideraram como o mais interessante do mundo. Não só a nível de monumentos, que são espectaculares, mas sobretudo também pela sua cultura, que se conserva sem ser afectada pela mal apodada “globalização” e que não se encontra afectada por outras culturas imperialistas. Por outro lado, pelo aspecto social, independentemente da orientação política do viajante, a possibilidade de poder contemplar e conhecer, no ano 2017, como se desenvolve um país socialista no qual a habitação é gratuita, não existe desemprego ou não há prostituição… pois soa quase incrível mas é algo muito interessante de se ver e conhecer pessoalmente.

Um turista pode lá ir sozinho?

Não, não é possível. Como turista existe uma norma do governo em como tem que ir acompanhado. Normalmente vai acompanhado por dois guias, que se revezam, que tratam das autorizações e que tratam da pessoa durante as 24 horas do dia. Residem inclusivamente no mesmo hotel em que se hospeda. Só quando se trata de visitas não turísticas, ou seja quando uma pessoa tem a confiança do nosso governo, é que não precisa de guia e pode mover-se tranquilamente, passear por onde quiser… mas para isso há que ter um nível de confiança que não se aplica ao nível turístico, pois é um sistema aberto e qualquer pessoa pode ir à Coreia como turista.

E o que faz um turista na Coreia do Norte?

Desde as 07:00 da manhã até às 20:00 da tarde o turista tem todos os dias um itinerário apertado. A maior parte das pessoas normalmente quer aproveitar o seu tempo ao máximo. Irá visitar os monumentos mais importantes da capital, as estátuas de bronze, a colina Mansu [com os monumentos de bronze dos líderes do país], a Torre da Ideia Juch, o maior Arco do Triunfo do mundo, provavelmente irá visitar o Palácio das Crianças, onde os jovens fazem uma representação da cultura tradicional, é quase certo, em quase todos os itinerários, que vá 200km até ao Sul, até à fronteira com a Coreia do Sul, para visitar Panmunjom, a zona desmilitarizada, e conhecer o porquê e como é actualmente a divisão da Coreia fomentada pelos EUA. Essa visita é tem bastante impacto, num lugar de alta tensão, onde se está cara a cara com os fuzileiros norte-americanos e é uma visita obrigatório. Se tiverem um pouco mais de tempo, sobretudo no Verão, organizam-se voos para Baektu, a montanha mais alta da Coreia, um vulcão extinto com umas paisagens naturais fabulosas.

O visitante, quando vai embora, mudou a sua opinião acerca da Coreia do Norte?

Sim, em 98 ou 99% dos casos muda por completo. As pessoas vão ao país com receio graças ao sensacionalismo de muitos órgãos de comunicação social, à manipulação mediática e a alguns governos… depois quando o veem a realidade com os seus próprios olhos, veem que não há pessoas a pedir pelas ruas ou a remexer o lixo, ninguém a viver em caixas de cartão, então ficam surpreendidas de que no país toda a gente tenha o que precisa e as pessoas sejam felizes, é o que os choca primeiro. Há um caso recente, o de Richi González Ávila, um treinador espanhol de basquete que esteve algum tempo na Coreia do Norte e está com vontade de voltar e uma das coisas que o surpreendeu foi que nos supostos países do Primeiro Mundo, os mais avançados, há uma quantidade de pessoas a viver em condições miseráveis e sem um tecto enquanto na Coreia do Norte as pessoas não vivem com grande luxo mas têm o necessário para viver.

Podemos utilizar as redes sociais durante a visita?

Claro, para isso os turistas podem comprar cartões com Internet para os seus telemóveis (…). Esse tipo de ligação sai bastante caro, mas existe.

O que mais tem agradado aos turistas?

Normalmente costuma ser a visita à zona desmilitarizada, pois quanto aos monumentos, são impressionantes mas ao fim de contas são construções. Porém, visitar Panmunjom e ver a tragédia que é a divisão coreana, ver a guerra fria que perdura desde os anos 50, isso tem impacto porque parece que não devia ser assim, que um país, uma só nação, entre irmãos, esteja dividida e que haja constantemente uma situação de guerra, a possibilidade de um conflito real, porque, na verdade, a guerra não acabou. Essa situação de tensão e ver cara a cara dos soldados do Exército Popular perante os fuzileiros norte-americanos é provavelmente o que mais marca todos os visitantes.

E do ponto de vista burocrático, que passos há a tomar para visitar a Coreia do Norte?

Basicamente, há que pedi-lo com um mês de antecedência, está aberto a todas as nacionalidades excepto a passaportes sul-coreanos e japoneses, os japoneses podem visitar a Coreia do Norte mas através de outro canal, a Associação dos Coreanos Residentes no Japão. Os coreanos do Sul não podem visitar o país porque oficialmente nos encontramos em conflito, não existem relações. Além disso, para um sul-coreano é completamente proibido visitar a Coreia do Norte por parte do seu próprio governo.

Porém, até pessoas de países com os quais não temos relações diplomáticas, como Israel e os EUA, podem visitar tranquilamente a Coreia avisando meramente com um mês de antecedência, desde que levem um passaporte, duas fotografias, um pequeno currículo onde especifiquem o seu endereço, contacto e dados pessoais e indicando o que querem visitar para se preparar o itinerário e o programa da viagem. É um processo muito muito simples e aprovam-se praticamente todos os pedidos.

E quanto custa uma viagem turística à Coreia do Norte?

Depende imenso do número de pessoas que vão participar na mesma viagem. Por exemplo, se uma pessoa fizer uma visita de uma semana sozinha, como tem que pagar o transporte, o motorista, os guias, os tradutores, as taxas turísticas… tem que pagar tudo sozinha (…) o custo pode rondar os 2.800 a 3.000 euros, tudo em hotéis de 4 estrelas, com tudo incluído. Fora isto há ainda o voo da Air Koryo [a companhia oficial da Coreia do Norte] de Pequim para Pyongyang, que é um voo de 145 minutos e que custa uns 550 euros. Estes valores podem baixar para 1.300 ou 1.400 euros dependendo do número de turistas presentes no grupo. Por exemplo, a partir de 15 pessoas já se fretam autocarros e dividem-se os custos entre os visitantes.

O que não podem os turistas fazer na Coreia do Norte?

Não podem andar sozinhos sem avisar o guia, se o guia não o autorizar ou não for acompanhado não pode sair do hotel – de qualquer modo tampouco há tempo livre, a agenda é muito intensa. Não podem tirar fotografias de instalações militares nem de pessoal militar sem autorização. Tal não quer dizer que se estiver num parque e houver um militar uniformizado com a família que não possa tirar uma foto deles ou até pedir-lhes para tirar uma foto privada, mas por regra geral, e sobretudo nos ‘checkpoints’ militares, não é possível tirar fotografias. Há que conservar o respeito para com o país, para com os nossos líderes e o nosso governo, e basicamente não levar elementos de propaganda massiva. Que quer isto dizer? Há pessoas que se julgam iluminadas por Deus ou que vêm [à Coreia do Norte] tentar fazer proselitismo da sua região e que trazem mil bíblias ou mil panfletos para fazer propaganda… isso não é permitido. Pode levar a literatura que quiser, mas para uso pessoal durante a visita, estas são praticamente as únicas restrições que há. De resto, não há nada de especial.

Quais são as ‘recordações’ favoritas dos turistas?

Costumam ser os postais, com posters de propaganda política, que assombram muita gente. Também t-shirts com a bandeira do país, alguns selos… e sobretudo insígnias com a bandeira nacional, que parecem ser o produto favorito dos turistas.

E qual é a proporção do turismo na Coreia do Norte?

Actualmente temos cerca de 50.000 visitantes por ano na Coreia, dos quais cerca de 5.000, uns 10%, não são chineses. Ou seja, a maioria absoluta dos visitantes são chineses, porque se tivermos em conta o turismo que passa pela própria fronteira… é extremamente fácil [visitar a Coreia do Norte], podem fazer visitas de dois dias, mas estão restringidos a uma área fronteiriça entre os dois países. O resto, os ocidentais, podem fazer visitas de uma semana a dez dias ou até de um mês… podem ser muito mais extensas. E desses 5.000, a maior parte são europeus, seguindo-se os canadianos e os australianos e, por fim, os estadunidenses.

Nada a ver com Barcelona…

Não, absolutamente nada, de modo nenhum, nunce permitiríamos que o nosso governo permitisse esse tipo de turismo de massas que impede que os próprios habitantes de Barcelona possam viver na cidade.

Fonte: Sputnik

segunda-feira, 20 de março de 2017

Kim Jong Il evocado no Brasil


A 16 de Fevereiro do corrente ano celebrou-se o 75º aniversário do nascimento de Kim Jong Il (1942-2011), líder eterno da República Popular Democrática da Coreia. A ocasião foi evocada por várias associações de solidariedade para com a Coreia do Norte com destaque para o Brasil, com a fundação do Centro de Estudos da Política Songun que organizou um Acto de Solidariedade à Coreia Popular na Universidade Estatal do Rio de Janeiro.

O encontro, além de homenagear o 75º aniversário do nascimento de Kim Jong Il, teve também o objectivo de criar uma plataforma para a possibilidade de um debate público acerca da história da revolução anti-imperialista da Coreia e a sua política militar, nomeadamente a Política Songun de Kim Jong Il, que complementou a Ideia Juche delineada por Kim Il Sung.

Além do Centro de Estudos da Política Songun, representado pelo seu presidente Lucas Rubio, o evento contou com o apoio e a presença do Centro de Estudos da Ideia Juche, na pessoa de Alexandre Rosendo, e do Instituto da Amizade Brasil-Coreia, liderado por Rosanita Campos. Além destas associações que apoiam explicitamente a República Popular Democrática da Coreia, marcaram também presença as organizações progressistas Brigadas Populares, o Partido Pátria Livre, o grupo Irredentos e a União Nacional de Estudantes.

No decorrer do evento foram evocados os feitos de Kim Il Sung e Kim Jong Il bem como recordado o facto de a defesa da Ideia Juche e da Política Songun estarem agora sobre os ombros de Kim Jong Un, num panorama internacional que lhe é claramente hostil. Alexandre Rosendo abordou a História da Revolução Coreana, resumindo à plateia a via da luta revolucionária liderada por Kim Il Sung. Diego Grossi expôs aos presentes os fundamentos históricos e filosóficos da Ideia Juche, sobre a qual se alicerça o socialismo coreano; Lucas Rubio dissertou acerca da política militar norte-coreana (Songun) e a prontidão e capacidade de combate do Exército Popular da Coreia, a conferência terminou com uma intervenção de Rosanita Campos que enumerou as grandes conquistas alcançadas na República Popular Democrática da Coreia na construção do socialismo, prestando uma sentida homenagem ao povo coreano.

Os oradores deram a palavra ao público e todos os presentes, que assim desejaram, puderam colocar aos palestrantes quaisquer dúvidas que tivessem acerca das realidades da RPDC, tão desconhecida quanto diabolizada pela imprensa mundial.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um grande homem


A 16 de Fevereiro deste ano assinalamos o 75º aniversário de Kim Jong Il (1942-2011), líder eterno da Coreia. São muitas as pessoas que o recordam em todo o mundo, a KFA Portugal não lhe é indiferente.

Um Homem Incansável

Kim Jong Il trabalhou incansavelmente durante toda a sua vida pensando que caso tirasse o tempo  necessário para recuperar da fadiga acumulada, tal iria atrasar o progresso do seu país. Trabalhava de madrugada a madrugada e tentava visitar todas as fábricas, instituições docentes e de investigação científica e as aldeias rurais até aos últimos recônditos do país. Nada valorizava mais que o tempo.

Não descansava nem no dia do seu aniversário. Houve um ano em que para se assegurar de que os habitantes de Pyongyang descansavam, não permitiu a organização de qualquer acto estatal em celebração do seu aniversário e passou o dia numa província distante a tratar de assuntos importantes.

Nunca colocou nada acima da felicidade do povo.

Quando Kim Jong Il faleceu inesperadamente, o povo coreano chorou-o com uma tristeza ainda maior ao recordar que jamais tinha tirado um dia de folga, trabalhando sempre com total entrega pelo bem-estar da população.

O Homem Que Mais Cartas Recebeu

Muitos sabem quantas cartas escreveu Lenine ao longo da sua vida, contudo não imaginam quantas cartas terá recebido Kim Jong Il.

Kim Jong Il recebeu milhares de cartas durante todos os meses da sua vida. Os coreanos, sem qualquer distinção de idade, profissão e cargo, abriam-lhe o seu coração. Confessavam-lhe os seus sonhos e desabafavam até os seus segredos mais intimos.

Kim Jong Il tinha apenas as horas da madrugada para ler essas cartas, após concluir as tarefas mais urgentes. Todos dormiam com tranquilidade enquanto ele se alegrava a ler o que pensavam e desejavam os humildes.

Lia as cartas e respondia-lhes, escrevendo-as com a sua própria mão.

Os coreanos consideram as suas cartas de resposta como o bem mais precioso, um verdadeiro tesouro familiar.

Samarra e Casaco de Forro

“Não há nada mais terrível do que a insignificância da moda”, dizia Goethe.

A contracorrente da moda mundial, Kim Jong Il, como chefe de Estado, sem se deixar restringir pela etiqueta diplomática, envergava sempre roupa cómoda e modesta, ou seja, uma samarra e um casaco de forro. 

As dúvidas do mundo quanto ao seu extraordinário gosto, aclararam-se após a sua morte e converteram-se em admiração. A samarra vestia-a com a decisão de trabalhar com abnegação para o povo em substituição de Kim Il Sung, presidente eterno da RPD da Coreia, que mesmo com avançada idade não deixava de realizar as suas visitas de trabalho; o casaco com forro utilizava-o em dias de Inverno, durante mais de 10 anos após a sua morte.

“A samarra assenta-me bem. Digam o que disserem, agrada-me o meu gosto, a minha vocação e o meu estilo”, dizia Kim Jong Il.

A samarra e o casaco de forro eram para ele as prendas mais adequadas para as suas actividades como estadista que deveria trabalhar sem descanso.

Filosofia da Neve

Há quem compare a vida de Kim Jong Il à neve. Ele, como a neve que cai silenciosamente sobre a terra quando faz frio, cobrindo-a, e que com a alteração das temperaturas derrete e beneficia a terra, abnegando a sua existência. Com o conceito da pureza e da sua consagração para o futuro, como a neve, ou seja com a filosofia da neve, Kim Jong Il consagrou tudo o que tinha tendo unicamente em vista a prosperidade do país e a felicidade do povo.

Com o intuito de transformar o país num Estado socialista centrado nas massas populares, defender fidedignamente o país e o povo da ofensiva anti-socialista das forças aliadas imperialistas e construir uma potência socialista, empenhou-se dia e noite. Chovesse ou nevasse, sem qualquer momento de descanso, realizou viagens de trabalho que cobriram mais de 669.600 quilómetros de distância, o equivalente a dar quase 17 voltas à circunferência da Terra, superando todo o tipo de dificuldades.

Kim Jong Il nasceu no acampamento secreto do monte Paektu, exposto à nevasca, tendo falecido num comboio no decorrer de uma viagem de trabalho por entre a neve.

A sua original filosofia da neve, cujo fundamento é a autoimolação, ainda hoje comove a comunidade internacional. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Partidos Políticos e Organizações Públicas


Partido dos Trabalhadores da Coreia

O Partido dos Trabalhadores da Coreia foi fundado a 10 de Outubro do Ano Juche 34 (1945). O PTC é um partido revolucionário de tipo Juche fundado pelo grandioso camarada Kim Il Sung e actualmente liderado pelo camarada Kim Jong Un. O partido herdou as tradições revolucionárias estabelecidas no período da luta revolucionária anti-japonesa e guia-se unicamente pela ideia Juche em todas as suas actividades. O seu objectivo imediato é atingir a completa vitória do socialismo na parte norte da Coreia e desempenhar as tarefas da libertação nacional e da revolução democrática popular em todo o país;

O seu objectivo principal é modelar toda a sociedade à ideia Juche e construir uma sociedade comunista. O PTC é o Estado-Maior político que organiza e lidera a luta revolucionária e o trabalho de construção da Coreia de modo coordenado. Assume a plena responsabilidade pelo destino de todo o povo coreano.

Partido Social-Democrata Coreano

O Partido Social-Democrata Coreano foi fundado a 3 de Novembro do Ano Juche 34 (1945) por intermédio de pequenos empresários, mercadores, artesãos, pequeno-burgueses, alguns camponeses e por cristãos das aspirações anti-imperialistas e anti-feudais das massas e exige a eliminação do rescaldo do governo imperial japonês e a construção de uma nova sociedade democrática. O seu principal ideal mobilizador é a social-democracia nacional de acordo com as condições históricas e as características nacionais da Coreia e o seu mote político base são a independência, a soberania, a democracia, a paz e a defesa dos direitos humanos.

Partido Chondoista Chongu

O Partido Chondoista Chongu é um partido democrático fundado a 8 de Fevereiro do Ano Juche 35 (1946). A sua militância consiste principalmente de camponeses chondoistas. Fui fundado com o objectivo de se opor à agressão e à subjugação imperialista, participar no labor de assegurar a independência nacional e construir um país rico, forte e democrático com o ideal patriótico de “defender o país e providenciar o bem-estar do povo” e com o espírito independente de “correr com os ocidentais e com os japoneses.”

Actualmente este partido contempla como tarefa mais importante estabelecer a harmonia entre todas as camadas da sociedade, fortalecendo a solidariedade entre elas e construir uma sociedade de bem-estar popular com uma economia nacional independente e fortemente desenvolvida e uma cultura nacional de inspiração Juche.

Este partido assume que a linha da tripla revolução ideológica, tecnológica e cultural do PTC é uma bandeira comum à nação que demonstra claramente a via para a concretização do seu objectivo de construir uma sociedade de bem-estar popular, e bate-se pela concretização desse ideal.

Frente Democrática Para a Reunificação da Pátria

A Frente Democrática Para a Reunificação da Pátria foi fundada a 22 de Julho do Ano Juche 35 (1946). Considera como seu principal dever reunir, na base de alianças operário-campesinas, todas as forças democráticas desejosas da liberdade e da independência do país em redor do grande líder e camarada Kim Jong Un, não importando a sua função, género, religião e filiação partidária, apoiando activamente e propagandeando a sua linha revolucionária bem como as suas políticas pela reunificação independente e pacífica do país, organizando e mobilizando amplos sectores das massas para que esta luta nacional se concretize.

Liga da Juventude Socialista Kim Il Sung

A Liga da Juventude Democrática da Coreia, predecessora da Liga da Juventude Socialista Kim Il Sung, foi fundada como organização juvenil de massas a 17 de Janeiro do Ano Juche de 35 (1946), após a libertação. Posteriormente foi fortalecida e desenvolvida até se transformar na Liga da Juventude Socialista Trabalhista da Coreia para fazer face às necessidades da revolução em andamento.

Na ocasião do 50º aniversário da sua fundação em Janeiro do Ano Juche de 85 (1996), foi rebaptizada de Liga da Juventude Socialista Kim Il Sung e entrou numa nova fase do seu desenvolvimento. A liga é uma organização militante de jovens que irão perpetuar a revolução coreana. É a reserva fiduciária e reforçadora do Partido dos Trabalhadores da Coreia. Guia-se unicamente pelas ideias revolucionárias do grande camarada Kim Il Sung.

O seu objectivo geral é equipar as massas juvenis com a ideia Juche e formá-las como sucessoras fiáveis da causa revolucionária Juche. Conta com mais de 5 milhões de militantes.

Federação Geral dos Sindicatos da Coreia

A Federação Geral dos Sindicatos da Coreia é uma organização política revolucionária das massas trabalhadoras. Foi fundada a 30 de Novembro do Ano Juche de 34 (1945). Conduz a educação ideológica necessária para que os seus membros compreendam plenamente a ideia Juche e faz com que se tornem parte da construção socialista e da organização da economia socialista com a atitude digna dos mestres. Conta com organizações nos vários ramos da indústria.

Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas da Coreia

O Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas da Coreia é uma organização política de massas de trabalhadores agrícolas fundada a 31 de Janeiro do Ano Juche de 35 (1946). Concretiza a formação ideológica necessária para dotar os trabalhadores agrícolas com a ideia Juche e faz com que desempenhem com sucesso as necessárias revoluções ideológica, tecnológica e cultural no interior do país de acordo com a via indicada pelas Teses Sobre as Questões Socialistas Rurais no Nosso País.

Sindicato Democrático das Mulheres Coreanas

O Sindicato Democrático das Mulheres Coreanas é uma organização política de massas que reúne as mulheres trabalhadores fundado a 18 de Novembro do Ano Juche de 34 (1945). Conduz a formação ideológica necessária para armar as mulheres com a ideia Juche, transformando-as em revolucionárias e assimilando-as na classe trabalhadora, promovendo a transformação de toda a sociedade e dos padrões da classe trabalhadora, realçando o seu papel na revolução e na construção.

Além destas organizações, existem ainda organizações públicas como o Comité Para a Pacífica Reunificação da Pátria, o Sindicato dos Jornalistas Coreanos, a Federação Geral dos Sindicatos da Literatura e das Artes da Coreia, o Comité Nacional da Paz, a Associação Democrática dos Advogados Coreanos, o Comité dos Estudantes Coreanos, o Comité Coreano Para a Solidariedade com os Povos do Mundo, o Comité Coreano Para a Solidariedade Afro-Asiática, a Federação dos Budistas Coreanos, a Federação dos Cristãos Coreanos, o Comité Central de Orientação da Igreja Chondoista Coreana e a Associação dos Católicos Coreanos.

Sistema Político da RPDC


Carácter, Funções e Objectivos Últimos do Estado

A RPDC é um Estado socialista independente que representa os interesses de todo o povo coreano. A República é um Estado socialista de orientação Juche que encarna os ideais e a liderança do camarada Kim Il Sung, fundador da República e pai da Coreia socialista. Os seus ideais e os feitos alcançados sob a sua liderança são a garantia basilar da prosperidade da República.

O sistema socialista da República é um sistema social centrado no povo e no qual as massas dos trabalhadores são quem tudo coordena e tudo na sociedade tem por objectivo servir-lhes. De acordo com a natureza do seu sistema socialista, o Governo da República defende e protege os interesses dos operários, dos camponeses, dos intelectuais e de todos os restantes trabalhadores que se tornaram em mestres do Estado e da sociedade, livres da exploração e da opressão.

É função fundamental e revolucionária do Governo da República alcançar e completar a vitória do socialismo na parte norte da Coreia fortalecendo o poder popular e desempenhando vigorosamente as três revoluções (ideológica, tecnológica e cultural) bem como reunificar o país sob os princípios da independência, da reunificação pacífica e de uma maior união nacional.

Sob a liderança do Partido dos Trabalhadores da Coreia, a República e o povo coreano mantêm o grande líder camarada Kim Il Sung como presidente eterno da República e aceleram o passo histórico para desempenhar e concretizar a causa revolucionária iniciada por este, herdando e portando as suas ideias e os seus feitos.

Sistema dos Órgãos do Estado

Órgãos do Poder

Os órgãos do poder consistem principalmente do órgão do poder central e dos vários órgãos do poder local. O órgão do poder central é a Assembleia Popular Suprema e, no intervalo entre as assembleias desta, a Comissão Executiva da APS. Os órgãos de poder local são as assembleias populares.

A Assembleia Popular Suprema é o principal órgão de poder da República. Retém toda a autoridade da República e exerce o poder legislativo. Tem também os poderes para organizar os vários órgãos do Estado.

A Presidência da Assembleia Popular Suprema é o órgão de poder supremo nos períodos em que esta se encontra encerrada. As assembleias populares são o órgão do poder local e incluem as assembleias populares de província (ou da cidade sob a sua directa jurisdição), as assembleias populares das cidades (ou distritos) e as assembleias populares regionais.

Comissão de Defesa Nacional

No sistema da administração do Estado o mais importante é a Comissão de Defesa Nacional. A Comissão de Defesa Nacional é o principal poder decisor militar tanto no órgão da soberania nacional como no órgão administrativo da Defesa Nacional.

É o órgão supremo dos sectores da Defesa Nacional e, ao mesmo tempo, a coluna dorsal dos órgãos da administração do Estado cumprindo o papel de órgão administrativo. O cargo de presidente da Comissão de Defesa Nacional é o cargo mais importante do Estado, comandando todas as decisões políticas, militares e económicas e defendendo o sistema de Estado socialista do país e defendendo o destino do povo, organizando e liderando o labor deste para fortalecer e desenvolver o poderio da Defesa Nacional e o estado geral do poder.

Órgãos Administrativos

Estes consistem de órgãos da administração central e local. O órgão da administração central é o gabinete central e os órgãos da administração local são os comités populares locais. O gabinete central é o governo da República. Como corpo executivo da administração e corpo gestor de um órgão supremo, o gabinete central elabora as leis, os decretos, as decisões e as ordens e ocupa de um modo unificado todas as tarefas de gestão do Estado, providenciando as políticas de âmbito nacional.

Os órgãos de poder local incluem os comités populares de província (ou da cidade sob a sua directa jurisdição), os comités populares da cidade (ou distrito) e os comités populares regionais. São também os corpos executivos da administração.

Sistema Judicial e Legal

O corpo judicial é um órgão estatal que supervisiona a observância e a concretização das leis socialistas. O sistema inclui um gabinete legal central, um gabinete provincial (ou da cidade sob a sua directa jurisdição), um gabinete citadino (ou distrital), gabinetes legais regionais e gabinetes legais especiais. 

O gabinete legal central controla todos os trabalhos judiciais de modo unificado. O corpo de justiça é o órgão do Estado que exerce o poder judicial socialista.

Os órgãos de Justiça incluem o Tribunal Central, os tribunais provinciais (ou da cidade sob a sua directa jurisdição), os tribunais populares e os tribunais especiais. Todos os tribunais possuem juízes e assessores populares. O Tribunal Central é o corpo judicial supremo do país.

domingo, 4 de dezembro de 2016

A RPD da Coreia vence o Mundial de Futebol Feminino Sub-20


As jogadoras da selecção nacional da República Popular Democrática da Coreia venceram o Mundial de Futebol Feminino de Sub-20 na Papua Nova Guiné ao derrotar por 3-1 a selecção francesa no Estádio Nacional Port Moresby.

No percurso para a final eliminaram na primeira etapa a Espanha, nos quartos-de-final, e os Estados Unidos nas semi-finais, após terem estado à cabeça do grupo. Este ano a selecção da RPDC também venceu o Mundial de Sub-17.

sábado, 19 de novembro de 2016

Decorreu em Dublin a 16ª Conferência Internacional da KFA


Decorreu em Dublin a 16ª Conferência Internacional da KFA, a mesma decorreu no Clube dos Professores em Dublin, no passado dia 5 de Novembro. Estiveram presentes membros da KFA oriundos da Irlanda, da Dinamarca, da França, de Itália, da Polónia, de Espanha, da Suécia, da Suíça, do Reino Unido e dos EUA.

Os conferencistas foram recebidos pelo camarada Andreas Engström, delegado oficial da KFA na Irlanda. O mesmo referiu que tanto a Irlanda como a Coreia foram divididas pelo imperialismo e, como tal, foi extremamente significativo que o encontro internacional da KFA deste ano decorresse na Irlanda. 2016 marcou o 16º aniversário da fundação da KFA e marca também o “centésimo aniversário da Insurreição de Páscoa – 1916 foi o ano em que o povo irlandês se rebelou contra o imperialismo britânico.”

Continuando o seu discurso: “o povo coreano está bem ciente das intempéries que os seus irmãos de armas irlandeses tiveram que suportar ao longo do século uma vez que há muito combatem o imperialismo, muito antes do nascimento da RPDC. Até hoje, tanto a Irlanda como a Coreia se encontram divididas às mãos do imperialismo…”

O encontro foi presidido por Trever Aritz, o comissário internacional da Associação de Amizade com a Coreia. Não foi possível a presença do camarada presidente, Alejandro Cao de Benós, após a retenção do seu passaporte por parte das autoridades espanholas, que decidiram em cima da hora que este não podia abandonar o país devido a um processo ainda a decorrer referente a umas quantas falsas acusações contra a sua pessoa.

O discurso do presidente foi lido pelo camarada Trever Aritz, neste Alejandro afirmou que a recente inauguração do escritório da KFA, da biblioteca Kim Il Sung-Kim Jong Il e do Pyongyang Café em Tarragona, Espanha, têm tido um enorme sucesso e que todas as delegações da KFA a nível mundial deviam ter algo semelhante.

Foi lida uma mensagem de Pyongyang, da parte do Comité Coreana para as Relações Culturais com os Países Estrangeiros. A mensagem prestava um elevado elogio à luta da Associação de Amizade com a Coreia, os únicos amigos reais da RPDC.

Foram entregues vários discursos pelos delegados de todas as nações presentes, com destaque para a intervenção de Lukasz Mrozek, da KFA Polónia, que recordou que a Polónia – a par com a União Soviética e a China – foi um dos primeiros três países a reconhecer a RPDC, tendo o Camarada Presidente Kim Il Sung visitado a Polónia duas vezes ao longo da sua vida. “Quando os imperialistas dos EUA provocaram a guerra na Península da Coreia, a Polónia não só condenou veementemente esse bárbaro acto de agressão como, num gesto fraternal, enviou médicos para a RPDC.”

Não podendo estar presentes, foram lidas mensagens de solidariedade da KFA Arábia, KFA Singapura e KFA Argentina, uma vez que não puderam estar presentes este ano. No dia seguinte, os membros da KFA encontraram-se para um passeio pelos locais revolucionários anteriores à Insurreição de Páscoa e até à Guerra Civil da Irlanda, organizada pelos membros da KFA Irlanda. Por unanimidade, decidiu-se que o encontro do próximo ano irá decorrer em Marrocos.

“Espero quer isto signifique ‘o fim dos EUA’ tal como os conhecemos”


Sputnik | Miguel Ángel Julià – A vitória de Trump promete ser um ponto de inflexão para os Estados Unidos e, possivelmente, para o resto do mundo, e será para o bem de todos, assim opina o delegado especial da Coreia do Norte para as relações culturais com os países estrangeiros, Alejandro Cao de Benós – mais conhecido como “o embaixador norte-coreano no Ocidente” – numa entrevista exclusiva à Sputnik.

A eleição do candidato republicano, Donald Trump, é um voto anti-sistema e significa que a população estadunidense está farta do antigo sistema político, assinalou o entrevistado. Segundo este, a sociedade nos Estados Unidos está a polarizar-se à medida que aumentam os conflitos tanto de classe como raciais e, acrescentou, pode ser que a situação interna dos EUA piore ainda mais.

Quanto à possibilidade da eleição de Hillary Clinton, Cao de Benós afirmou que esta teria podido causar uma guerra total e uma catástrofe a nível global.

“Eu qualificaria Clinton como uma mulher falsa e histérica. A sua eleição podia ter significado um possível ataque ‘preventivo’ e mal calculado contra a RPD da Coreia, o qual obteria uma resposta nuclear por parte do nosso Exército Popular”, opinou.

Contudo, argumentou, a situação actual pode não significar que Trump consiga realizar todas as mudanças que prometeu efectuar ao longo da sua campanha presidencial, dada a oposição de certos círculos da sociedade.

“A pressão social irá impedi-lo de tomar medidas drásticas como a expulsão massiva de imigrantes ou a proibição da entrada de islâmicos”, manifestou.

Cao de Benós confirmou que Trump poderá, isso sim, reduzir as tensões com Pyongyang e, segundo prometeu o mesmo durante a sua campanha, será menos activo que Obama no que diz respeito à ingerência nos assuntos internacionais. O entrevistado asseverou que isto, ou seja “o nacionalismo extremo” de Trump, “é a melhor notícia para todas as nações do planeta que queiram viver em paz.”

Quando questionado se a vitória de Trump significa “o fim dos EUA” tal como os conhecemos, Cao de Benós afirma que espera que assim seja uma vez que tal será “para bem do mundo e dos próprios EUA” e acrescenta que uma revolução social “é sempre necessária para eliminar as sociedades velhas de modo a criar novas”.

O delegado especial concluiu que se tivesse uma oportunidade para pedir algo ao presidente eleito dos EUA, lhe iria pedir para firmar a paz com Pyongyang e retirar os militares norte-americanos dos países invadidos, nomeadamente a Coreia do Sul, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia e a Síria, entre outros.

Fonte: Sputnik

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Recepção das campeãs mundiais do Sub-17 de Futebol em Pyongyang


KCNA - No passado dia 25 regressou a casa a equipa de futebol feminino da República Popular Democrática da Coreia que se sagrou como campeã do mundo de 2016 no Campeonato Mundial de Sub-17 da FIFA.

O Aeroporto Internacional de Pyongyang, o trajecto desde o bairro de Ryonmot até ao cruzamento de Ryonghung, passando pela avenida Kaesonmun até ao cruzamento de Changjon, estavam repletos de trabalhadores de vários sectores, de jovens e de estudantes com ramos de flores.

As campeãs foram recebidas no terminal aeroportuário pelo vice-presidente do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, Kim Yong Chon, pelo vice-primeiro-ministro Ri Ryong Nam, pelo ministro do Desporto, Ri Jong Mu, e por um grande número de funcionários curiosos.

Os familiares das atletas e outros desportistas nacionais felicitaram as jogadoras e os treinadores com colares e ramos de flores.

À entrada do bairro de Ryonmot, as campeãs subiram para um veículo descapotável no qual percorreram as avenidas, envoltas em flores de felicitações.

As jogadoras subiram a colina de Mansu, onde prestaram homenagem aos grandes líderes Kim Il Sung e Kim Jong Il, depositando um cesto e ramos de flores aos pés das suas estátuas de bronze.  

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

“Sem armas nucleares, a Coreia do Norte seria outro Iraque ou outra Síria”


O delegado especial da Coreia do Norte para as relações culturais com países estrangeiros, Alejandro Cao de Benós – mais conhecido como “o embaixador” norte-coreano no Ocidente – concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik na qual deu a conhecer a sua opinião sobre o presente e o futuro do país comunista, mas falou também da esquerda espanhola e da “perseguição política” que assegura sofrer em Espanha e que está por trás da sua detenção por possessão ilegal de armas.

조선일 – Choseon-il – : é este o nome coreano de Alejandro Cao de Benós, e significa “a Coreia é uma”. Embora tenha nascido a quase 10.000 quilómetros de distância de Pyongyang, este espanhol dedicou os últimos 20 anos da sua vida a melhorar a imagem internacionalmente afectada do regime dos Kim. Em Espanha é conhecido por ser uma das poucas vozes dispostas a defender a Coreia do Norte e o seu sistema político na terra, no mar e no Twitter. Recentemente, além disso, abriu o Pyongyang Café em Terragona – a sua cidade natal –, o único sítio no Ocidente onde se pode consultar material sobre o hermético país, beber algo ou até mesmo falar com o próprio Cao de Benós. Caso algum leitor se aproxime do local, talvez acabe por ser persuadido das benevolências do Juche e do sistema socialista coreano… o que salta à vista é que ninguém conseguirá convencer Alejandro de que está equivocado.

Se há alguém que tenha defendido sempre o sistema político norte-coreano em Espanha, esse alguém é você, contudo, como e quando começou a sua relação com a Coreia do Norte? 

Quando tinha 16 anos, altura na qual já me considerava comunista, soube que várias famílias da RPDC [República Popular Democrática da Coreia] estavam a viver em Madrid. Apresentei-me, disposto a viver lá e a contribuir para a revolução.

O que o atraiu nesse país?

A ideologia Juche, criada pelo presidente Kim Il Sung, a cultura coreana, a sua filosofia e a sua espiritualidade. 

Muitos países acusam a Coreia do Norte de cometer violações dos DH e de ser uma ditadura personalista. Qual a sua opinião?

Essas acusações são completamente falsas e partem de duas fontes: uma, dos serviços de informações e propaganda dos EUA e dos seus súbditos. A outra, da ignorância, do sensacionalismo e da manipulação das notícias em muitos órgãos de comunicação social. Além disso, a figura do líder é um elemento de coesão social, de união e força que desde sempre existiu em todas as culturas.

Como avaliaria o trabalho levado a cabo por Kim Jong Un desde que assumiu a chefia do Estado?

Como o de um soldado leal às instruções do presidente Kim Il Sung e do generalíssimo Kim Jong Il. O seu labor pelo povo, pela defesa da revolução e em prol do desenvolvimento económico e tecnológico não se afastam nem um centímetro desse ideal. 

Uma das imagens dos Jogos Olímpicos do Rio foi a selfie protagonizada pelas atletas Lee Eun Ju, da Coreia do Sul, e Hong Un Jong, da Coreia do Norte, como definiria essa imagem?

Como um exemplo vívido de que a Coreia é uma só nação, que a reunificação é possível e que o império dos EUA deve abandonar desde já a sua ocupação militar [da península coreana] que se prolonga já desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Onde vê a Coreia do Norte daqui a 25 anos? Pensa que a união entre o Norte e o Sul irá ocorrer algum dia?

A RPDC, daqui a 25 anos, vejo-a como uma nação muito avançada e futurista, conservando o sistema socialista e com uma produção autossuficiente de 90% de todos os produtos industriais e de consumo. Um modelo alternativo para muitas nações que sofrem já com as misérias do capitalismo exacerbado. Sem dúvida, a reunificação irá ocorrer. Já nos aproximamos desta mediante os acordos de 200 e de 2007. Agora tudo depende do povo da Coreia do Sul eleger um presidente e um partido progressistas que não dependam do controlo norte-americano.

Olhando para o futuro, julga que o “modelo chinês” será a via a seguir pela Coreia do Norte?

A RPDC não irá adoptar modelos económicos capitalistas como o da China. Tal significaria o fim do sistema socialista e da independência soberana.

Que opina acerca do programa nuclear norte-coreano? Do seu ponto de vista, que objectivo pretende atingir o governo da Coreia do Norte com o desenvolvimento do seu próprio arsenal nuclear?

O programa nuclear é o seguro de vida do país. Sem ele, a Coreia do Norte seria outro Iraque, outra Líbia ou outra Síria. Países que perderam a sua cultura, a sua estabilidade, os seus recursos e o seu futuro sob as bombas da falsa bandeira da liberdade. O objectivo do programa nuclear é estritamente dissuasor. A RPDC tem o direito soberano a defender o seu território e os seus cidadãos. Se os EUA, a Rússia, o Reino Unido ou Israel possuem armamento nuclear, não estão desde logo qualificados para demonizar ou sancionar outras nações por fazerem o mesmo.

Como definiria as relações entre a Rússia e a Coreia do Norte? A Rússia é um país amigo?

As relações entre a Rússia e a Coreia remontam ao nascimento da República e às batalhas conjuntas do Exército Vermelho e do Exército Popular da Coreia contra o império japonês, assim como ao apoio de Josef Estaline contra o império estadunidense. Julgo que, actualmente, devido à expansão e ao carácter expansionista dos EUA, a Rússia está a retomar e a fomentar as relações a todos os níveis com a RPDC. 

Falando de Espanha, em que julga terem falhado o Unidos Podemos na altura de conseguir obter um melhor resultado eleitoral? Do seu ponto de vista, qual é o problema da esquerda espanhola?

Deve-se à falta de ideologia – ou à degeneração da mesma – à falta de um sistema disciplinado e, como diria Lenine: porque não chegou ainda o “momento histórico”. 

Deve-se também ao individualismo da esquerda, que fomenta o facciosismo, juntamente com a dificuldade de aceitar uma autoridade ou de manter uma disciplina, fazem com que de momento seja impossível uma mudança substancial na política em Espanha.

Na Catalunha parece que houve um certo estancamento das forças políticas partidárias da independência. Crê que o dito processo de independência foi afectado?

Estava afectado logo à partida, pois tratou-se de utilizar o descontentamento da “classe média” com o sistema capitalista para o redirecionar para o independentismo. A mensagem independentista aguentava-se graças a alguns órgãos de comunicação social e ao interesse da oligarquia catalã em perpetuar-se num reino de propriedade exclusiva, sem benefícios para o povo. Como comunista e catalão de nascença, creio que os esforços de devem concentrar em unir todos os trabalhadores de Espanha para desterrar o capitalismo, não em criar um ódio entre famílias que emigram e convivem entre comunidades desde há mais de 40 anos. 

Há uns meses, foi notícia ao ser detido numa operação da Guarda Civil por, alegadamente, ter comprado duas pistolas detonadoras – de fogo – como é que este caso o afectou? Em que situação se encontra actualmente o processo judicial?

Primeiro, serviu-me muito para entender como se leva a cabo a perseguição política e a sua utilização policial num regime supostamente democrático como o de Espanha. Em segundo lugar, deu-nos muita publicidade para o nosso novo projecto, o Pyongyang Café. De momento, tenho a decorrer dois recursos contra o director geral da Guarda Civil e contra a Subdelegação do Governo [pela detenção]. Por outro lado, há a detenção pelas armas detonadoras no meu domicílio, que quero clarificar, comprei-as com a minha licença de porte de armas ainda vigente. Tinha-as com a intenção de dissuadir os criminosos que denunciei por reiteradas ameaças de morte. Até à altura não há quaisquer novidades.

Em Julho deste ano abriu as portas do Pyongyang Café – que é também a sede da Associação de Amizade com a Coreia em Espanha – em Terragona. O que se pode fazer nesse local? De onde surgiu a ideia de o abrir?

O Pyongyang Café é a nossa primeira sede internacional. Qualquer visitante pode sentir-se na Coreia do Norte graças à decoração e à arte típica do país, ler uma revista na biblioteca e provar o chá ou a cerveja que temos. Trata-se de um ponto de encontro aberto ao público em geral onde se pode informar acerca de qualquer aspecto acerca do país.

Está a ter uma boa recepção? Qual é o perfil dos visitantes? Planeia abrir mais sítios como este?

Muito boa, passado um mês estamos a receber uma média de 30 a 40 visitantes por dia. O perfil são jovens interessados na Coreia ou intelectuais, que vêm com os amigos e a família para conhecer a Coreia e desfrutar de um ambiente tranquilo e diferente.

Fonte: Sputnik

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